Relatórios de frete no Cota Frete: KPIs e tabelas para acompanhar sua operação

Muita loja Shopify Brasil acompanha vendas, conversão e ticket médio com cuidado — mas raramente acompanha dados de frete com a mesma profundidade. A intuição costuma dominar a decisão: “acho que pago mais frete grátis no Sudeste”, “acho que o cliente prefere SEDEX”, “acho que o frete está pesando na margem”.
Achismo é caro. Os dados costumam contar outra história.
O Cota Frete tem uma seção dedicada de Relatórios dentro do admin do app (acessada pela Shopify), com KPIs gerais e sete tabelas detalhando frete por UF, região, faixa de pedido, transportadora, semana e pedido a pedido. Este guia mostra o que cada parte expõe e como ler.
Como acessar
- No admin da Shopify, abra o Cota Frete
- No menu lateral do app, vá em Relatórios → Relatório de frete
- No topo, ajuste o Período desejado (últimos 30 dias, 90 dias, intervalo customizado)
- Para exportar os dados, use o botão Baixar relatório no canto superior direito
KPIs Gerais
O bloco que abre a tela. Doze indicadores que dão a leitura macro da operação no período filtrado:
- Período analisado: janela considerada (ex.: 06/03/2026 → 20/05/2026)
- Total de pedidos: quantidade de pedidos da loja no período
- Receita total: receita bruta dos pedidos
- Ticket médio: receita ÷ pedidos
- Valor do frete cobrado: total efetivamente pago pelo cliente em frete
- Frete calculado: total que as transportadoras devolveram nas cotações (a tarifa “cheia”)
- Frete absorvido: diferença entre o que foi cotado e o que o cliente pagou — o que a loja banca (frete grátis, descontos)
- % pedidos frete grátis: proporção de pedidos onde o cliente pagou R$ 0 de frete
- % receita frete grátis: proporção da receita que veio desses pedidos
- Frete absorvido / Receita: quanto da receita está sendo “consumida” pela política de frete grátis
- Frete cotado / Receita: peso do frete teórico sobre a receita
- Frete cobrado / Receita: peso do frete pago pelo cliente sobre a receita
A relação útil entre os três últimos: Frete cotado / Receita = Frete cobrado / Receita + Frete absorvido / Receita. Se sua loja cota 5,68% de frete sobre receita e o cliente paga só 3,43%, os 2,25% restantes são o seu custo de “promoção” via frete.
Tabelas detalhadas
Frete Grátis vs Pago
Comparação direta entre pedidos com frete grátis e pedidos pagos: quantidade, % do volume, receita, ticket médio, frete cotado e frete cobrado.
Pra que serve: descobrir se o ticket médio dos pedidos grátis é muito maior que dos pagos (indicando que sua regra de frete grátis com valor mínimo está funcionando) ou se está espalhado por todos os tickets (indicando que talvez esteja largando frete grátis demais).
Por UF
Tabela linha-a-linha de todas as UFs que tiveram pedido no período, com qtde, % do volume, ticket médio, receita, % pedidos grátis naquela UF, frete cotado médio e frete cobrado médio.
Pra que serve: identificar onde sua loja vende mais, onde o ticket médio é maior, e principalmente onde o frete está fora do padrão (UF com frete cotado muito alto pode justificar excluir transportadora cara dessa região, ou criar exceção).
Por Região Brasil
Agregação das UFs em cinco regiões: Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Nordeste, Norte. Mesmas métricas da tabela por UF.
Pra que serve: visão estratégica. Se 60% das vendas estão no Sudeste mas o Nordeste tem ticket médio mais alto, talvez valha investir em campanhas regionais. Se o Norte tem frete cobrado próximo do frete cotado, é sinal de que sua política de frete grátis pouco se estende lá.
Por faixa de valor do pedido
Buckets de ticket: R$ 0-99, R$ 100-149, R$ 150-199, R$ 200-299, R$ 300-499, R$ 500-999, R$ 1000+. Pra cada faixa: qtde, % do volume, % pedidos grátis na faixa, ticket médio, receita, frete cotado médio, frete cobrado médio.
Pra que serve: calibrar limite de frete grátis. Se 80% dos seus pedidos estão entre R$ 200-499 e a sua regra de frete grátis é “acima de R$ 99”, a regra dispara em quase tudo — pode subir o limite. Se está em “acima de R$ 500” e só 5% dos pedidos passam, a regra está subaproveitada.
Por Transportadora
Distribuição dos pedidos por transportadora/serviço que o cliente escolheu (Correios PAC, SEDEX, contratos numerados, demais transportadoras). Qtde, % do volume, % pedidos grátis, ticket médio, frete cotado médio, frete cobrado médio.
Pra que serve: avaliar performance real das transportadoras que você oferece. Se você ativou três transportadoras e o cliente escolheu uma em 90% dos casos, vale entender por que as outras duas quase não foram escolhidas (preço pior? prazo pior?). Pode ser hora de retirar uma e simplificar.
Temporal (semanal)
Série semanal de pedidos: data de início da semana, qtde de pedidos, ticket médio, receita, % pedidos grátis, frete absorvido total.
Pra que serve: ver tendência. Frete absorvido subindo semana a semana enquanto receita está estável significa que sua política de frete grátis está ficando mais cara. Receita caindo enquanto % pedidos grátis sobe pode indicar que a regra está atraindo perfis de pedido errados.
Por pedido
Lista detalhada pedido a pedido (paginada), com transportadora, serviço, código, UF, valor do pedido, valor do frete cotado, valor do frete pago, custo absorvido, data.
Pra que serve: investigação pontual. Cliente reclamou que pagou frete diferente do que viu na PDP? Achou que um pedido específico foi caro? Aqui você vê o número exato — frete cotado, cobrado, absorvido — pra cruzar com a queixa.
Casos de uso práticos
Caso 1 — Avaliar saúde do frete grátis
Olhe Frete absorvido / Receita nos KPIs Gerais. Se está acima de 5%, sua política de frete grátis está pesada (você está bancando muito). Se está abaixo de 1%, a regra quase não é acionada (pode estar subaproveitada).
A faixa saudável depende da margem do seu produto. Loja de eletrodoméstico com 8% de margem aguenta 1-2% de frete absorvido. Loja de cosmético com 50% de margem aguenta 4-5%.
Caso 2 — Decidir se vale negociar contrato com transportadora
No Starter com Correios balcão? Filtre os últimos 90 dias e olhe Frete cotado / Receita nos KPIs. Se você está cotando R$ 30-50 mil de frete por trimestre, vale buscar contrato — a economia típica entre tabela balcão e tarifa negociada costuma compensar o esforço de credenciamento.
Caso 3 — Avaliar performance de transportadora
Abra Por Transportadora. Veja o % do volume de cada uma. Se uma transportadora ativa representa menos de 5% dos pedidos, ela não está sendo competitiva no checkout — ou tem prazo pior, ou tem tarifa maior. Decisão: ajustar (acréscimo de valor pra equilibrar) ou retirar.
Caso 4 — Identificar regiões com política de frete grátis desbalanceada
Cruze Por UF com Por Região Brasil. Procure regiões com % pedidos grátis alto E ticket médio baixo — sinal de que pedidos pequenos estão acionando frete grátis ali. Pode ser hora de criar uma exceção (regra de faixa de CEP que exige valor mínimo maior pra essa região).
Por que isso importa
A maioria das decisões operacionais de frete acontece por intuição. “Acho que pago muito frete grátis.” “Acho que o J&T é mais barato.” “Acho que vendo mais pro Sul.” Os dados costumam contar uma história diferente — e às vezes inversa.
Exemplos de descobertas comuns quando o lojista abre o relatório pela primeira vez:
- Achava que pagava 1% de frete grátis. Era 4%. Estava bancando 4x mais do que imaginava.
- Achava que 40% dos pedidos eram SEDEX. Era 12%. Cliente escolhia PAC quando tinha opção.
- Achava que o Sul era o público principal. Era o Sudeste com 60% de share; Sul não passava de 20%.
Esse tipo de descoberta só acontece olhando o número. E como o relatório fica dentro do mesmo admin onde você opera a loja diariamente, é abrir e ver — sem ETL, sem dashboard externo, sem login adicional.
Próximos passos
- Se você é cliente do plano Business e nunca abriu Relatórios → Relatório de frete, vá agora e dê uma olhada antes de assumir que sua intuição está calibrada
- Para entender como as regras geram esses dados, veja Faixas de CEP, frete-exceção e regras avançadas e Agrupamento de frete
- Dúvida específica sobre algum número do relatório? Fale com o atendimento
Última atualização: maio de 2026